Resumo
Introdução: A formação médica está associada a elevada carga acadêmica e mudanças nos hábitos de vida, podendo impactar negativamente a saúde mental e a qualidade de vida dos estudantes. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, transversal e quantitativo, realizado com 242 estudantes de medicina de uma instituição do sertão da Paraíba. Foram utilizados os instrumentos DASS-21, WHOQOL-BREF e questionário sociodemográfico. A análise incluiu estatística descritiva, testes inferenciais e regressão linear hierárquica, com nível de significância de 5%. Resultados: Observou-se alta prevalência de ansiedade (87,6%), depressão (78,5%) e estresse (76,4%). A qualidade de vida apresentou piores escores nos domínios psicológico e relações sociais. A ansiedade foi mais prevalente no ciclo básico (p=0,017). As análises de correlação evidenciaram associação moderada a forte entre sintomas psicológicos e relação negativa com a qualidade de vida. Variáveis comportamentais, como sono, energia e funcionamento, explicaram 49,4% da variância da qualidade de vida psicológica, aumentando para 56% com a inclusão de sintomas emocionais, com destaque para a depressão como preditor negativo. Discussão: Os achados confirmam a elevada vulnerabilidade psicológica dos estudantes de medicina e reforçam o papel central dos hábitos de vida na determinação do bem-estar, superando a influência de fatores sociodemográficos. Conclusão: A qualidade de vida dos estudantes é fortemente influenciada por fatores comportamentais e emocionais, destacando a necessidade de estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde mental e de hábitos saudáveis ao longo da formação médica.

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