Resumo
Este estudo tem como objetivo analisar a percepção de estudantes de medicina quanto ao preparo para lidar com o sofrimento do paciente, considerando as dimensões técnica e emocional da formação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada com 21 estudantes do internato médico de uma instituição privada no interior da Paraíba, por meio de entrevistas estruturadas, sendo o material analisado à luz da técnica de análise de conteúdo. Os resultados evidenciaram que os participantes apresentam maior segurança no domínio técnico, especialmente no manejo do sofrimento físico, porém demonstram fragilidade diante das demandas emocionais do cuidado. A prática clínica foi identificada como principal espaço de aprendizagem, embora ocorra, frequentemente, sem mediação pedagógica adequada, expondo os estudantes a impactos emocionais significativos. Observou-se ainda a predominância de estratégias individuais de enfrentamento, como reflexão e apoio entre colegas, além da percepção de insuficiência do suporte institucional. Destacaram-se dificuldades relacionadas à comunicação de más notícias, à terminalidade e ao equilíbrio entre empatia e autoproteção emocional. Conclui-se que o preparo ocorre de forma progressiva, porém fragmentada, evidenciando a necessidade de integração entre formação técnica e desenvolvimento emocional, bem como de maior investimento institucional em suporte psicológico e estratégias pedagógicas voltadas à humanização do cuidado.

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